sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Da diversidade nas penas do Purgatório

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26 - Qual a severidade dos sofrimentos do Purgatório? 
Com relação à severidade desses sofrimentos, é proporcionada à natureza, gravidade e número dos pecados cometidos, uma vez que são infligidos pela infinita Justiça. Cada um recebe de acordo com suas obras, cada um tem que saldar os débitos de que se vê culpado diante de Deus. Ora, esses débitos diferem enormemente em qualidade. Há alguns que se acumularam durante uma longa vida, alcançaram os dez mil talentos do Evangelho, quer dizer, milhões e dezenas de milhões. Enquanto outros estão reduzidos a uns poucos tostões e ao insignificante remanescente do que ainda não foi expiado na terra. Segue-se daí que as almas sofrem várias espécies de sofrimentos e há inumeráveis graus de expiação no Purgatório; e que, portanto, alguns sofrimentos são incomparavelmente mais severos que outros.

[...]

53 - Há diversidade nas penas do Purgatório? 
De acordo com os Santos, há uma grande diversidade nas penas corporais do Purgatório. Se bem que o fogo seja o principal instrumento de tortura, há também o tormento do frio, a tortura dos membros, e a tortura aplicada aos diferentes sentidos do corpo humano. A diversidade de sofrimentos parece corresponder à natureza dos pecados, cada um dos quais pede sua própria punição, de acordo com estas palavras: Quia per quae peccat quis, per haec et torquetur  – Pelas coisas com que pecou, será também atormentado (Sb, 11, I7). 

É justo que seja assim com relação ao castigo, uma vez que a mesma diversidade existe na distribuição do prêmio. No Céu cada um recebe de acordo com suas obras. 

Como diz o Venerável Beda, cada um recebe sua própria coroa, sua veste de glória. Para o mártir a veste é de uma rica cor de púrpura, enquanto que a do confessor tem o brilho de uma deslumbrante brancura. 

54 - Há exemplo da diversidade das penas? 
A vida da Venerável Madre Francisca do Santíssimo Sacramento, uma religiosa de Pamplona, apresenta vários fatos que mostram que as penas do Purgatório adaptam-se às faltas que devem ser expiadas. 

Essa venerável serva de Deus tinha a mais íntima comunicação com as almas do Purgatório, de tal modo que elas vinham em grande número e enchiam sua cela, cada uma esperando humildemente sua vez de ser assistida por suas preces.

Frequentemente, o modo mais fácil de excitar sua compaixão era aparecer-lhe com os instrumentos de seus pecados, agora tornados instrumentos de sua tortura. 

Um dia ela viu uma religiosa rodeada por custosas peças de decoração, como quadros, poltronas, etc., tudo em chamas. Ela havia colecionado essas coisas em sua cela, contrariamente a seu voto de pobreza religiosa, e após sua morte isso tornou-se seu tormento. 

Um advogado apareceu-lhe um dia com todas as insígnias de sua profissão. Rodeando-o, as chamas que delas saíam provocavam-lhe os mais intensos sofrimentos, e ele disse: “Eu usei esta pena, esta tinta, este papel para causas ilícitas. Eu também tinha uma paixão em jogar, e cada uma dessas cartas, que eu sou forçado a segurar continuamente em minhas mãos, agora constituem minha punição. Essa bolsa em chamas contém meus ganhos ilícitos e fazem com que expie por eles”. 

Disso tudo deveríamos tirar um grande e salutar ensinamento. As criaturas são dadas ao homem como meio de servirem a Deus. Devem ser instrumentos de virtude e boas obras. Se delas se abusa e se as tornam instrumentos de pecado, é justo que devam voltar-se contra ele, e tornar-se instrumentos de seu castigo. 

- Catecismo sobre o Purgatório (pág. 18-19; 32-33)

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