sábado, 17 de outubro de 2026

"Que necessidade tem Sua Majestade de usar a palavra benefício?"

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Mêncio foi visitar o rei Hûi de Liang. 
Disse o rei: ―Venerável senhor: pois que não te pareceu longe este palácio, à distância de uma centena de li, posso presumir que vens provido de conselhos que beneficiem meu reino?
Replicou Mêncio: ―Que necessidade tem Sua Majestade de usar a palavra benefício? O que eu trago são conselhos de benevolência e retidão e esses são os meus únicos temas.
Se Sua Majestade diz: ―Que há a fazer para beneficiar o meu reino?, dirão os altos funcionários: ―Que há a fazer para beneficiar nossas famílias? E os funcionários subalternos e o vulgo dirão: ―Que há a fazer para beneficiar nossas pessoas? Superiores e inferiores tratarão de arrebatar-se o proveito uns aos outros e o reino correrá perigo. 
No reino de dez mil carruagens, o assassino de seu soberano será o chefe de uma família que possua mil carruagens. No reino de mil carruagens o assassino de seu príncipe será o chefe de uma família que possua uma centena de carruagens. Possuir um milhar contra dez ml e uma centena contra mil, não se pode dizer que seja grande parcela; mas se a retidão é postergada e prevalece o ganho, não se satisfarão enquanto não se apoderarem de tudo. 
―Nunca houve homem benévolo que abandonasse seus pais. Nunca houve homem reto que tributasse pouco respeito ao soberano. ―Que a benevolência e a retidão sejam também os únicos temas de Sua Majestade. Por que há de empregar a palavra proveito?

(Mêncio IV, I)
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About Edmundo_Noir
Sommelier de anime, profeta do IApocalipse, missionário do chá e webteólogo. Pedalando entre ruínas.

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