quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A Religião da Humanidade

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As páginas da história estão recheadas de exemplos bizarros de falsas religiões; dentre elas o positivismo foi particularmente influente no Brasil, sobretudo durante o golpe republicano. Acerca desta estranha seita, escreve Laurentino Gomes em seu 1889 (pág.122-123):
Auguste Comte levou tão a sério o seu sistema que, nos anos finais de sua vida, havia plantado as sementes de uma nova religião baseada nos conceitos do positivismo. A “Religião da Humanidade” tinha templos decorados com símbolos e instrumentos científicos nos quais os fiéis se reuniam. No seu código doutrinário, a figura de um Deus cristão era substituída pela própria humanidade. Nos nichos até então ocupados pela enorme galeria de santos de devoção católica entravam os grandes vultos do pensamento humano. Desse modo, em lugar de são Paulo, são Pedro e santo Antônio, os fiéis eram orientados a cultuar Homero, Aristóteles, Dante, Gutenberg, Shakespeare, Descartes e outros grandes nomes das ciências e da filosofia.

Enquanto desenvolvia os fundamentos da “Religião da Humanidade”, Auguste Comte apaixonou-se por Clotilde de Vaux, dezessete anos mais nova do que ele. Vinham ambos de um primeiro casamento fracassado. Ele a definiu como sua “arrebatadora paixão crepuscular”. Sob inspiração dela, Comte escreveu uma de suas derradeiras obras, o Sistema de filosofia política, base doutrinária da religião positivista, em cujo panteão a própria Clotilde figuraria como santa e musa inspiradora de todos os discípulos.

Após a morte de Clotilde, Comte proclamou-se o primeiro Sumo Pontífice da nova religião, adotou o voto de castidade e recolheu-se em casa, onde passou a consumir um copo de leite pela manhã e um pedaço de carne com legumes à noite, às vezes acompanhado de pão seco, em “solidariedade aos que não dispunham sequer disso para saciar a fome”. Morreu em 1857, aos 59 anos.
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About Edmundo_Noir
Sommelier de anime, profeta do IApocalipse, missionário do chá e webteólogo. Pedalando entre ruínas.

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