Dizem os espíritas ter contato com os espíritos dos mortos. Embora a grande maioria dos supostos fenômenos possa ser desmascarado como mero charlatanismo, há casos de direita intervenção demoníaca. Em seu livro A Ilusão Espírita, Ramos de Oliveira nos conta alguns destes episódios:
Refere Godfrey Raupert que, estando seriamente preocupado com o problema da identidade dos espíritos manifestantes, realizava contínuas sessões em casa amiga, tomadas todas as precauções para evitar engano.Certa vez, manifestou-se um espírito dizendo ser o de um seu amigo e conhecido dos presentes, T. J. Pelas repetidas comunicações, todos estavam já suficientemente convencidos da identidade, menos ele, o pesquisador. Em dado momento, o espírito cometeu um equívoco. Raupert demonstrou-lhe a inverdade e, levantando-se, impôs: "Pergunto-te, em nome de Deus és realmente o falecido T. J.?" A resposta foi imediata: Não.- Então, pergunto-te, em nome de Deus: Onde obtiveste informações, que te tornaram possível esta fraude?- Na própria caixa bronca do vosso pensamento. Estais sentados aí como idiotas em situação passiva e eu leio as vossas ideias quase tão seguramente como vós, uma página de vosso Novo Testamento (Conf. Raupert, O Espiritismo, p. 30 e 31).O sr. DeJardins, célebre espirita de Angers, na França, narra como abandonou o espiritismo. Fazia ele constantes evocações por intermédio de sua esposa. Tendo evocado, uma tarde, o espírito de sua mãe, depois de alguns momentos de conversa, duvidou da identidade do interlocutor. Então perguntou:- Queres me dizer o teu nome?-Não.- Por quê?-Não.-Forçar-te-ei.- Não.Depois de alguns esforços, conseguiu colocar um terço sobre a mesa e o espírito:- Rio-me de teu terço.- Não tens medo de meu terço?- Não.Ele colocou o terço sobre a mão da médium, que resistia fortemente -e a mesa bateu:- Partir.- Queres partir?- Sim.- Quem te faz sofrer?-Teu terço.- Tu não gostas do terço?- Não.- Queres sofrer?- Sim.- Em nome de N. S. Jesus Cristo, ordeno-te que me digas quem és.- Satanás.- Tu és Satanás?- Sim.- Quem te força a confessar?- Deus.- Então cada vez que nas sessões espíritas consultamos nossos pais, nossos amigos defuntos, eras tu que, para melhor nos enganar, te manifestavas?- Sim.- Quais os nomes que tomavas?- Os de teu pai, de tua mãe, de teus tios, de tais e tais pessoas ...- E eras tu sempre?-Sim.- Qual era o fim que tinhas com isso?- Perder-te, seduzir-te.- Pois estás enganado, salvaste-me. Eu tinha até então algumas dúvidas sobre minha religião, mas hoje acabaram-se. E para melhor te provar que perdeste o teu tempo, eu e minha mulher iremos nos confessar e comungar pelo Natal (Conf. Astral, O espiritismo diante da ciência, da moral e td.a religião, p. 33, Baía 1899).

