Ensina Dom Antônio de Macedo Costa em seu Compendio de Civilidade Cristã (pág.44-46):
- Que se deve evitar no trajo?
- Deve-se evitar três cousas: ornato demasiado ou luxuoso esmero, próprios de sujeitos vãos e immodestos; negligencia desalinhada e falta de asseio, próprias de baixa índole e vida desordenada; singularidade extravagante ou modas caprichosas, próprias de pessoas casquilhas e levianas. Um fato simples, modesto e limpo é o que em geral mais convém.
- Que diz S. Paulo das mulheres apaixonadas por enfeites sumptuosos e brilhantes pompas do vestuário?
- Vestindo-se as mulheres, diz S. Paulo, como exige o decoro, ornem-se de pudor e sabedoria, não com ornatos mundanos, sumptuosos e immodestos, mas sim com boas obras, como convém a senhoras que fazem profissão de piedade.
- De que modo declara S. Francisco de Sales esta doutrina do Apostolo?
- Com grande criterio, finura e delicadeza. Diz assim: ≪Quer S. Paulo que as mulheres piedosas (o mesmo se há de entender dos homens) se vistam de trajes decentes, e adornando-se com pudicícia e sobriedade. Ora, a decência dos vestuários e mais adornos, depende da matéria, forma e asseio.
Quanto á limpeza, deve ser sempre igual em nossos vestidos, nos quaes, quanto possível fôr, devemos evitar toda a mancha e fealdade; que o asseio exterior representa, de algum modo, a honestidade interior; e o mesmo Deus requer a honestidade corporal, nos que chegam ao seu altar e têm o encargo especial da devoção.
Quanto á matéria e forma dos vestidos, a decência se considera por muitas circunstancias – do tempo, da idade, das qualidades, das companhias, das occasiões.
Nos dias festivos, ordinariamente, se usa de mais adorno, segundo a grandeza do dia que se celebra...
Sêde asseiada, ó Philothéa, que nada haja em vós descompassado e mal-posto. É desprezo d’aquelles com quem tratamos andar entre elles com habito desagradavel... O meu desejo é que o meu devoto e a minha devota fôssem sempre os mais bem vestidos do rancho, mas os menos pomposos e affectados, e, como se diz nos Proverbios, se adornassem de graça, decencia e decoro. S. Luiz diz, em uma palavra, que nos devemos vestir segundo os nossos estados, por fórma que os sabios e bons não possam dizer-vos: Caís em demasia; nem os moços: Tratae-vos com mesquinharia.≫
Não se póde determinar com mais fino tacto e graça o que diz respeito á decencia e ao asseio do vestuario.
Sigamos estas sabias indicações.
- Que se ha de fazer para trazer o facto sempre limpo e decente?
- Tratar sempre d’elle com muito cuidado, procurar que seja concertado logo que rasga, evitar encostar-se em objectos que podem manchal-o; escoval-o frequentes vezes, e expôl-o ao ar; nunca enxugar nelle as mãos, os dedos e a penna; andar com cautela nas ruas lamentas, etc.
- Deve-se ter particular cuidado com roupas brancas?
- Sim, porque quem a traz desasseiada dá logo uma idéia cabal de seu desmazelo e incivilidade.

