A história é escrita pelos vencedores, diz um velho adágio. Infelizmente a revolução maçônica triunfou em nosso país, de modo que a figura dos antigos reis e imperadores só é trazida a tona para fins de zombaria. Acerca da rainha Maria, por exemplo, destaca-se a sua loucura, mas omite-se a causa. Eis, pois, algumas pistas: nos seus acessos de loucura [a rainha], dizia ver a imagem do pai, D. José I, morto em 1777, como “uma massa calcinada de cinzas, sobre um pedestal de ferro derretido, negro e horrível, que uma legião fantasmagórica tentava derrubar”, segundo a descrição de um de seus ministros, o marquês de Angeja.
Aterradora visão! Quem, pois, conseguiria manter a sanidade após ver o próprio pai queimando por toda eternidade nas profundezas do inferno? Mais do zombar da pobre rainha, deveríamos nós temer terminar naquele mesmo lugar cuja mera visão foi causa de sua loucura.

